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Um paneleiro e o céu

Posted on Setembro 26, 2025Setembro 27, 2025 By diogo
Tempo de leitura: 2 minutos

E se fosse um adjetivo, um que qualifica as preferências sexuais de uma pessoa? 

Se andasse pela rua, como muitas vezes ando, parasse para olhar para o céu, como algumas vezes paro, e me chamassem de paneleiro, como me chamaram hoje quando parei para olhar o céu.

Aqui existem dois problemas evidentes: a pessoa que lançou o adjetivo, não ter dito bom dia primeiro, e ainda desrespeitar o bom falador português, omitindo substantivos ou advérbios quando se lança qualquer adjetivo. 

Por exemplo: “que paneleiro” ou “gajo paneleiro”, teria soado muito melhor e no lugar de me meter a pensar no que soou mal com aquele comentário, eu poderia ter continuado a olhar para o céu.

Em grande parte dos casos, quando se fala português com erros, a culpa é do português. Parece que estamos tão concentrados nos negócios familiares, na construção de impérios internacionais, na emergência climática, na estabilidade financeira nacional, nos direitos básicos de vida, nos nossos elevadíssimos salários e subsídios de desemprego e na captação da população jovem em Portugal, que nos esquecemos de falar bem em português. Ainda bem que nos esquecemos de falar bem português, caso contrário, não seríamos portugueses, seriamos cascalenses. Falamos bem noutras línguas, quem não se lembra do ocasional “bienvenue”, do “és beautiful, pá” e “ich mag dein Land”.

Se é fácil lançar um adjetivo a gente que é gentinha, qual a grande preocupação? Quais os perigos que pessoas LGTV’s apresentam?

Quando saímos à rua, a celebrar os direitos que temos vindo a conquistar nas últimas décadas, assim como a liberdade que possuímos em determinados espaços, nada tem que ver com a existência de terceiros que não se enquadram nestes espaços. Posso dizer que detesto fogos de artifício: o barulho e as cores, parece que saem e querem ser vistos e ouvidos. Porém, sei que há quem os adore e os celebre. Então ignoro-os. Sei que há países onde é ilegal existir, é crime gostar de alguém, então ignoro-os veemente, celebrando nos espaços onde posso ser.

Quando morrer, nunca terei nascido nem vivido (Clarice Lispector). As vidas que fazemos, as palavras que deixamos e os silêncios infinitos que se propagam em todo o espaço, ecoam noutras vidas. Durante a nossa vida há a eternidade das coisas e no seu fim tudo é nulo. Como dizer que um ponto é eterno, dois pontos são uma reta e três pontos podem ser um palco da vida?

Sempre batalhei com o termo comunidade LGBTI, por ser algo americanizado, comercializado e banalizado por muitos. Ainda assim, quando vejo alguém a defender os direitos de outras pessoas, cresce em mim um sentido de comunidade, quando aprendo mais sobre as variadas pessoas que se manifestaram e lutaram pelos nossos direitos, pela igualdade, aprendo que faço mais parte desta comunidade do que muitos possam gostar.

Ao escrever estas palavras, parece-me inserto se é realmente isto que quero escrever, talvez me esteja a interrogar se estou a ser o “bom gay”, aquele que recebe os comentários “mas de ti gosto, não fazes muita impressão, não dás nas vistas, não és uma vítima”.

Espero que não tenha sido um abuso da minha parte ter escrito “bom gay”, dois adjetivos juntos, agora cometi um erro duplamente pior que o autor do comentário original. Esta dupla adjetivação é pano para muitas mangas. Toda a gente sabe que dois adjetivos nunca são coisa boa. E se fosse dois adjetivos?

Quem me dera saber como será a cara deste comentador aquando do seu toque retal. Que paneleiro…

Bélgica, viagem com uma amiga, família incrível.
Matutado por: 13
Crónicas gaypaneleiroPortugal

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