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Conversas sobre consciência

Posted on Setembro 27, 2025Setembro 27, 2025 By diogo
Tempo de leitura: 3 minutos

Este texto surgiu da 4.ª edição do Prémio Maria de Sousa, em 2024. Os doutores Hanna Damásio e António Damásio foram convidados a apresentar algumas partes sobre as suas investigações da consciência e desafiaram os alunos para se interrogarem sobre o tema. Aqui vai

[Para A. Damásio] Quem veio primeiro a matéria ou a consciência? Tem a matéria, átomos, quarks, pequenas entidades materiais, subunidades que formam protótipos da consciência e em si são formas rudimentares do que compõe a consciência? Ou é a consciência que surge da interação da matéria?

O cientista australiano, David Chalmers, que cunhou o termo Hard Problem of The Mind, tem um livro, no qual descreve uma experiência mental de um paciente, o Tim, que está sob uma cirurgia ao cérebro, onde lhe estão a substituir gradualmente bocados do cérebro por componentes eletrónicas. A meio da cirurgia ele diz, ainda estou aqui. Tudo corre bem, a cirurgia foi um sucesso, em vez de um cérebro orgânico, agora Tim tem um feito de silicone e componentes elétricos.

As minhas perguntas são: acha que se chegará a fazer isto? E, se considera que o desenvolvimento tecnológico, com smartphones, internet, AI, realidade aumentada, etc, é uma preparação pré-cirúrgica para este procedimento, para nos prepararmos para esta troca, em nós ou em máquinas humanoides?

Como devemos olhar para a consciência, por outras palavras qual a sua forma? Como a inteligência ou alguma habilidade física, é algo que existe num espetro, abrindo a possibilidade para dizer que indivíduo A é mais consciente do que o B, tal como falamos para alguém mais ou menos inteligente ou forte do que outro. Ou é algo como um sim e não, ora temos ou não temos.

Em diversos casos de tentativas a primeiras respostas a perguntas fundamentais sobre a vida, em termos existenciais e biológicos, a nossa posição no Universo física e deontologicamente, pomo-nos no pináculo das coisas, como ser supremo. Somos o ser mais inteligente, o centro do Universo, dado um Deus somos o seu ser preferido, etc, com isto, poderemos estar a pensar numa resposta para o que é consciência nestes moldes, excluindo a possibilidade de existir diversas formas de consciência de outros animais, plantas, de matéria, máquinas, ou até de tecidos e órgãos criados em laboratório que reagem e têm impulsos elétricos?

Se ainda não sabemos como definir o que é, como devemos enfrentar a emergente revolução da inteligência artificial e a sua chegada à consciência, como saberemos que chegaram lá? Deveram partir de alguma definição de consciência ad hoc, sobre a qual define-se o que querem que as máquinas de AI façam, imitando comportamentos humanos?

Em física de partículas, por exemplo, falamos de propriedades como a massa ou carga de uma partícula de modo funcional, o que faz e equações refletoras de interações, ou seja, a massa como responde à gravidade e forças, a carga como responde a campos elétricos. Contundo, seria incapaz de lhe dizer o que cada uma destas grandezas é, a não ser que são propriedades intrínsecas que existem no Universo, associadas a objetos e daí seguia para a frente.

Não poderemos chegar a uma altura e dizer que a consciência, em si, é fundamentalmente uma propriedade da realidade e não uma explicação mais profunda, dá-se como dada e seguimos em frente?

A filósofa norueguesa Hedda Hassel Morch chama a isto o Hard Problem of Matter: assim como não sabemos o que é a consciência, também não sabemos o que são fundamentalmente propriedades física, a não ser como algo intrínseco a matéria.

Mais sobre o que é a consciência e como surge.

Ao  ler o capítulo sétimo de O erro de Descartes o termo consciência surge como reação da experiência emocional, “Para quê complicar as coisas e fazer intervir a consciência neste processo, se existe já um meio de reagir de forma adaptativa em termos automáticos?” E por processo, entenda-se “[…] a perceção da relação entre objeto e estado emocional do corpo”.

Em muita literatura este caso parece repetir-se, assim como nos ditos comuns. Digo isto não como argumento per se, mas como fator de relevância, notado nos momentos quotidianos comuns de qualquer indivíduo, ou por análise científica.

É a experiência emocional com a justaposição sobre uma «mente racional» que nos torna conscientes. (?)

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