Continuando as ideias que vieram da palestra do Dr. António Damásio…
As questões sobre o que é e o que origina a mente podem suscitar diferentes reações a diferentes indivíduos. O que têm de semelhante alguém que não tem interesse em descobrir o que é a mente e um físico? São a mesma pessoa. Evidentemente que o caso não é sempre este, porém em algumas áreas científicas, as propriedades de “ser” de alguns domínios ou objetos não é procurada. Tal acontece, pois não há interesse em definir algo que conseguimos utilizar ou entender o seu funcionamento e, por isso, caracterizamo-lo pelo modo como interage com o sistema envolvente ou pelo seu comportamento em determinadas condições.
Tomemos o tempo e a gravidade como exemplos. O que é o tempo ou a gravidade?
O tempo é usualmente descrito como algo unidimensional, que se move para a frente, devido ao crescimento irreversível de entropia no Universo, ainda que, seja diferente em diferentes pontos do Universo, variando com a velocidade do ponto e com as interações com outros objetos. Como resultado, temos orelhas mais velhas que os nossos pés [Pound-Rebka].
A gravidade é tomada como a interação entre dois ou mais objetos, causada pelas suas massas. Simples, mas não é uma descrição que se enquadra com outras formas de interações onde existem trocas de partículas, como a interação eletromagnética, e eletrões e fotões. Porém, a postulação de que existe uma troca de partículas (gravitões) para ocorrerem interações gravíticas, foi infrutífera, até ao momento. Havendo alguns físicos, como Oskar Klein, que afirmam que a gravidade poderá ter gravitões em dimensões além das nossas, comprimento, largura, altura e tempo.
Por outras palavras, ainda que a busca do que faz a gravidade, gravidade e do tempo, tempo, seja contínua, não é sabido o que são. E não deixamos de utilizar tanto um como o outro em contextos profissional, da academia ou no quotidiano. Deste modo, questiono-me sobre se se deveria perspetivar a mente e a consciência como entidades da matéria, como escalas ou espetros.
Quando os professores A. e H. Damásio responderam à questão: “como devemos olhar para a consciência, como algo que pode estar on ou off, ou como algo numa escala ou espetro?” , afirmaram que, neste ponto, a consciência e a mente são dispares. A consciência de um organismo pode, de facto, ser tomada como um interruptor, sendo esta a identificação espontânea de um processo da mente a decorrer dentro do organismo. Contudo, a mente é tripartida em perceptual mind, feeling mind, and reflective and linguistic mind, que podem variar no período de existência do organismo.
