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Terra, um espaço especial

Posted on Outubro 2, 2025Outubro 7, 2025 By diogo
Tempo de leitura: 5 minutos

Alien dos Media

Qualquer casa hoje tem um ecrã, TV, computador ou telemóvel, onde passam notícias sobre vida fora do planeta Terra. Maioritariamente, são filmes ou cenários artificiais que pretendem mostrar a mensagem: o Universo está cheio de criaturas, com diferentes formas, algumas mais inteligentes que a espécie humana e algumas mais hostis do que bondosas. A ideia de que planetas com vida animal é algo comum parece estar a crescer.

Podemos tanto agradecer a escritores de ficção científica, como a dois astrónomos. Em 1973, Frank Drake e Carl Sagan chegaram à equação de Drake. Esta equação chega a um número possível de “civilizações avançadas” na nossa galáxia. Ao utilizar as informações que tinham disponíveis na altura, C. Sagan estimou que podem haver um milhão de civilizações na Via Láctea (sem considerar outras galáxias, isto é muita civilização). Uma vez que a nossa galáxia é uma em centenas de milhares de milhões de galáxias no Universo, podem haver biliões de planetas com alienígenas inteligentes.

Equação de Drake (Drake, não o cantor norte-americano, keke do you love me, mas o astrónomo que acabei de referir, Frank Drake)

O quê? Porque é que ninguém me tinha dito antes? E agora? Acreditamos que existem mesmo, pelo menos mais uma civilização, não? Quão provável é que vida unicelular noutros planetas tivesse evoluído em variedades mais complexas, culminando no desenvolvimento de animais e culturas avançadas?

Em Rare Earth: Why Complex Life is Uncommon in the Universe, Don Brownlee e Peter D. Ward defendem que até as formas mais simples de vida animal são extremamente raras na nossa galáxia. Não querem passar a ideia de que todas as formas de vida são raras, porém não concordam com a inferência da vida de espécies complexas de plantas e de animais ser comum no Universo, porque também é o de algumas formas de vida microbial.

Comecemos do início. Como chegamos ao ponto de haver tanta gente a imaginar e a acreditar na ideia de algo como a vida animal ser comum em espaços extraterrestres? Uma razão foi a descoberta de micróbios poderem sobreviver e multiplicarem-se a temperaturas extremas e a pressões esmagadoras, no fundo do oceano e de baixo da superfície terrestre. Condições semelhantes a estas existem noutros planetas e, portanto, algumas pessoas, leigos e cientistas, fazem a correspondência de que se vida primitiva consegue sobreviver na Terra, por que razão não conseguiria viver fora dela?

Agora, o registo fóssil. Sabe-se que a vida na Terra começou um pouco depois do fim do período quando planetas estavam a colidir com outros objetos massivos e a atividade vulcânica era brutal, cerca de 3.5 mil milhões de anos atrás. Ter aparecido vida terrestre tão cedo na história da Terra sugere que se forma com ligeira facilidade. Se ocorre aqui, é razoável perguntar se não pode ter acontecido inúmeras vezes noutros planetas.

Contudo, esta linha de pensamento apresenta algumas falhas. Apenas porque a vida evolui, não significa que vida animal aparecerá eventualmente. A probabilidade de vida animal florescer é muito remota. Assim é, dado o facto da Terra ser um sítio especial e é muito pouco provável existirem outros planetas com as condições apropriadas para que formas de vida simples evoluam em organismos mais complexos, como plantas e animais.

Condições que permitem vida na Terra

Uma é a estabilidade. A Vida necessita de um ambiente relativamente estável, como o que existe na Terra (pelo menos, na grande maioria do planeta), uma órbita estável e a recepção de uma quantidade estável de energia solar. A maior parte dos planetas conhecidos fora do sistema solar têm órbitas irregulares ou instáveis. Ainda, a energia de estrelas noutros sistemas e galáxias, tendencialmente, não é constante, não por muito tempo. Se a luz emitida pelo Sol tivesse oscilado rapidamente, em curtos intervalos, durante o longo período de formação da vida terrestre, a probabilidade de haver vida animal (e estares a ler isto) seria muito reduzida.

Astrónomos calcularam que não somos atingidos por cometas e asteroides com tanta frequência como outros planetas. Estas colisões causam extinções em massa, podendo extinguir toda a vida existente. Não há muita informação sobre o que defende a Terra destas colisões, mas sabemos que podemos agradecer a Júpiter (o maior planeta do sistema solar, cerca de 11 vezes maior em diâmetro do que a Terra e com massa 318 vezes superior). Este planeta gigante faz de escudo para catástrofes, ao atuar como um guarda-redes de cometas e asteroides. Melhor analogia, talvez seja com um aspirador, Júpiter limpa o lixo cósmico que poderia colidir com a Terra.

Sistema solar

Nem todos os planetas com as dimensões de Júpiter têm órbitas estáveis para fazerem o que ele faz. Muitos sistemas estelares, têm Júpiteres “maus”, que orbitam próximos da sua estrela ou têm órbitas muito excêntricas ou instáveis. No interior de outras galáxias, cheias de estrelas, supernovas1 e encontros próximos com estrelas vizinhas podem ocorrer frequentemente, despromovendo o desenvolvimento da estabilidade duradoura que se espera para o desenvolvimento de vida.

Outro acidente feliz está na própria natureza da Terra. O nosso planeta oferece a mistura certa de metais para a evolução de vida e o seu crescimento. Também, é o único planeta no sistema solar com uma lua de tamanho apreciável, comparado com o planeta que orbita. Isto estabiliza a nossa inclinação axial, que causa condições climatéricas relativamente constantes. E, a Terra é o único planeta no sistema solar com placas tectónicas2, que leva à deriva continental3, o aspeto crucial em manter um clima que permita água líquida existir. Placas tectónicas contribuem para a formação de rochas calcárias, que eliminam GEEs da atmosfera.

A água é crucial para a vida (aguarda para mais novidades). Acontece que a Terra está a uma distância ótima do Sol para permitir que água no estado líquido existisse na sua superfície por mais de 4 mil milhões de anos. Mais afastados do Sol e estaríamos congelados; mais próximos e a água teria evaporado, como em Vénus.

Até a nossa posição na galáxia é importante. Se estivéssemos mais próximos do centro, a vida animal correria o risco de extinção em massa. Mas se estivéssemos mais afastados, não haveriam tantos dos elementos pesados necessários para formar planetas rochosos capazes de sustentar vida, como a Terra.

Terra na Via Láctea

Parece que quando Copérnico4 removeu o nosso planeta do centro do Universo e o colocou em órbita em torno do Sol, o seu estatuto começou a descer. Fomos do centro do Universo para uma pedra pequena e insignificante, a orbitar uma estrela indistinguível e também insignificante, numa galáxia, que, como outras que existem por aí, tem vida. Este princípio de mediocridade, a ideia de que a Terra está numa classe de planetas muito comum, não tem muita validade e o melhor é descreditá-lo. Medíocre e comum não fazem justiça ao nosso planeta (nem a ti que leste até aqui).

Concluindo, existe um estatuto especial para Terra, possui características que permitiram o surgimento de vida e do seu desenvolvimento, que levaram à organização de variedades de vida tão complexas como nós, mamíferos e outros animais e plantas. Devemos considerar-nos de alguma forma satisfeitos por termos faculdades apreciativas para este planeta e do pouco mais que “vemos” na sua vizinhança. Também, parece-me bem acresentar que, somos responsáveis por não estragar a sua estabilidade natural.



1. Supernova: a explosão de uma estrela .
2. Placas tectónicas: os blocos sobre os quais a superfície terrestre está dividida e que se movem.
3. Deriva continental: o movimento lento dos continentes sobre a superfície terrestre (Wegner).
4. Copérnico: astrónomo polaco (1473-1543), responsável pelos avanços na teoria heliocêntrica, onde a Terra e outros planetas orbitam o Sol.

O que te parece?

Qual a diferença entre cometa e asteroide?

Os cometas são formados por gelo, poeira e gases, e podem produzir uma cauda quando se aproximam do Sol. Asteroides são corpos rochosos compostos por minerais e metais, sem cauda e geralmente não possuem formato definido.

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Física Porquês e ses AliensAstronomiaFísicaSolTerraVida

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