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Porquê escrever um e-book?

Posted on Janeiro 22, 2026Janeiro 22, 2026 By diogo
Tempo de leitura: 5 minutos

Para quem não me conhece, chamo-me Diogo e tenho um hobby estranho, cato lixo do chão. É mais glamoroso do que pode parecer. Uso as minhas luvas e o meu saquinho, o sacão, e sou feliz. Vou partilhando tudo no TikTok e agora num e-book.

1. Antes de pensar escrever: ideias e experiência

Ultimamente tenho pensado em escrever sobre as reflexões que vou tendo enquanto faço recolhas de lixo e o processo de as realizar. Esta é uma ótima oportunidade para ser inundado de pensamentos criativos e positivos. Sabem quando tomamos banho ou estamos a fazer alguma coisa tranquila, paramos por uns minutos e, de repente, boom, um ideia, duas e um mar de ideias enche-se no cérebro? Pois, é assim que me encontro quando faço estas recolhas. Rodeado de pessoas, otimistas e esperançosas, é também difícil não ser contagiado por estes sentimentos. No geral, é uma experiência que me contenta.

Evidentemente, também há stresses. Por vezes, lanço uns adjetivos como “caganda badalhoco” quando vejo alguém lançar lixo para o chão ou quando apanho determinados objetos que não têm cabimento de estar na praia, num mato ou nas ruas.

Neste contexto, vou escrever um livro. Porquê escrever um e-book? Porque não? O objetivo principal deste blog é mesmo escrever mais e explorar este meu interesse pelas palavras e pelo seu poder. Vou ver se estes poderes são mágicos ou se têm algum efeito real sobre as ações a quem os dirijo. Neste caso, estou-me a dirigir a todos os que vivem e viveram, pelo menos nos últimos 1000 anos.

Imagens das minhas recolhas. A ideia é mostrar a quantidade enorme de lixo em pequenas áreas e a facilidade de apanhar muito dele.

2. O ato da escrita

Na verdade, já comecei a escrever este e-book. Pensei em jogos e desafios a que nos podemos submeter para tornar as recolhas de lixo mais divertidas. Como parar de catar lixo até encontrar 7 peças das cores do arco-íris ou quem apanhar mais lixo em 15 minutos receber um almoço grátis das restantes pessoas que estão na recolha (para quem gosta de uma competição saudável).

Lançarei também dados desta atividade em Portugal e noutras regiões do mundo; sugestões para estabelecimentos públicos e privados para diminuir o lixo nas suas proximidades e fomentar esta atividade; dicas para educadores, de modo a realizarem recolhas e passarem informações acessíveis e interessantes. Têm de o ler para perceber o quão bom é. Vou escrevê-lo primeiro.

Ainda que tenha imensas ideias e que acredite que acabará por ser um livro cativante. Tenho dúvidas sobre como farei alguém agarrar neste livro. Sabendo o que vai lá dentro, eu sei que pegaria da prateleira e gastaria uns euros para lê-lo. Contudo, os outros milhões de pessoas que o podem ler, lê-lo-ão? 

Como podem aferir pelo meu vocabulário e o meu conhecimento de pronominalização, este livro não será uma salganhada completa. Será divertido e informativo. Estes são os adjetivos que quero ouvir sobre o que escrevo. Tenho que admitir que um dos meus grandes achismos sobre mim, é que não sou interessante. Acho que o que digo é aborrecido, não sei se é como o digo ou as palavras que uso. Acabo de falar e procuro saber se quem me ouviu ainda se encontra entre nós, Estás aí?

Vou questionar as pessoas que conheço para perceber se é realmente interessante. Serei inquisitivo e insistirei por sugestões. Veem, palavras chatas. Tenho de ter isso em atenção. Ou talvez sair de mim para ver que estes achismos não têm fundação. Quero escrever muito e falar mais, de modo a responder a esta questão. Será uma resposta muito plural e subjetiva. Vou tentar na mesma.

Devem ter reparado pelo nome deste site, que a palavra matutos aparece com frequência. Calhou. Estava a navegar e encontrei este ilhéu. Soou-me bem e descreve bem o que gosto fundamentalmente de fazer, matutar e aqui estão os meus matutos. Por isso, para o título deste livro talvez também incluirei algo com este verbo. Talvez seja apenas «O meu hobby estranho: catar lixo» ou «Provavelmente roubei o seu lixo». Deixo aqui algumas hipóteses que servirão de inspiração para as suas diferentes partes.

  • Matutos sobre o lixo
  • Que se lixe o lixo
  • Estamos lixados
  • O lixo tirano
  • O lixo do vizinho é sempre melhor que o meu
  • Catar lixo: a aventura do século
  • O que acontece quando catas lixo?
  • Grão a grão, enchemos o contentor
  • Como uma pessoa pode limpar a cidade
  • Cata local, recolhe global
  • Pequenos gestos. Grande impactos
  • Olhar para o chão, ver o céu
  • Do chão para a consciência
  • Guia de matutos urbanos
  • Manual de matutos urbanos
  • Da areia ao asfalto: 
  • (Desculpe,) deixou cair isto?
  • A gravidade sobre o nosso lixo
  • A arte de catar lixo
  • Cala-te, lixo!
  • Ele só muda de lugar.
  • Lixo: um conto infindável
  • Um legado, o lixo

3. Ter um plano, valores e consistência

Antes de tudo, vem a inspiração. Os sentimentos que parece que nunca senti, mas que foram e são necessários a agir. Tive as minhas experiências, encontrei pessoas encorajadoras e outras nem tanto, li livro e sublinhei frases (mentalmente, que não risco livros). A minha avó, que gosta das coisas limpas e que detesta cigarros, a Débora que com a sua força começou uma organização para recolher lixo do chão, o Andrei, a Rita e a Marta, que se mostram pessoas simples, felizes e convidativas a quem se presta nas suas atividades e participa nas grandes conversas.

«Que nenhum cidadão seja tão opulento a ponto de poder comprar outro, e nenhum tão pobre a ponto de ser forçado a vender-se»

Esta citação é de Jean-Jacques Rousseau, do Contrato Social, publicado em 1762. Demorou 263 anos para que tivesse este livro nas mãos e lesse estas palavras. Acredito que tenhamos ultrapassado este ponto muito antes da data em foi escrito. Ingénuo do Rousseau, de todos os teóricos na verdade. Há muito que assinámos um contrato social invisível, que tolera trocas, deixando em branco o que podemos trocar. Na gíria comum conhecêmo-lo como «Uma mão lava a outra». Acho que simplesmente pararmos ou nos conectarmos num bioma natural, pouco ou nada humano, compreendemos isso. Não quer dizer que não tiremos proveitos e que não se aproveitem de nós, mas os limites estabelecem-se na nossa mente. Limites necessários, que há muito quebrados e que sem eles, temos ruas de lixo e pessoas, habitações com ainda mais lixo e menos humanos.

Outra citação valente é de Johann Goethe:

«Pensar é fácil. Agir é difícil. Agir conforme o que pensamos ainda o é mais».

Parece-me simples o suficiente para entender. Concordo. Tenho conhecido imensas vozes positivas sobre catar lixo que se desviam completamente do compromisso de o fazer também. Nem mesmo uma vez por outra? – eu pergunto – Nem mesmo uma vez por outra. – eles respondem. O lixo não é deles, o problema também não. Esta parece ser uma cláusula incontornável do contrato invisível. Esta e o “tenho mais que fazer”. 

“Tenho mais que fazer” é perigoso. Quando te deixas pensar, refletir sobre os dias, pessoas e o universo? Quando tens tempo para passear, conhecer a arquitetura, os passeios, os mantos verdes da tua terra? Quando é que convives?

Quando? Quando faço uma recolha de lixo em grupo, faço tudo isto. E tu?

É por isso que quero escrever. Para apreciar melhor o que faço, para refletir, matutar sobre os meus dias, com quem estive e o que farei, com quem estarei. Tenho expectativas altas para nós, vou fazer a minha parte. Não esperes que ninguém comece antes de ti para tu fazeres a tua.

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