As memórias são criadas por experiências e sensações, captadas, guardadas e associadas a alguma forma de sentir. Aquelas associadas a momentos de prazer, conteúdos académicos ou de qualquer tipo, constituem uma parte considerável do “cérebro consciente”(1). Ou seja, um sujeito encontra-se dependente desta parte cognitiva para atuar (automaticamente ou não) no seu quotidiano.
O desenvolvimento individual depende consideravelmente da capacidade do cérebro para assimilar as informações a priori e a posteriori dos meios envolventes, assim como o tipo de raciocínio que adquire e a matéria que desenvolve com as suas capacidades.
Será a noção de tempo, para um sujeito, dependente do seu desenvolvimento mental? Quanto mais progride mais concreta é em relação à “escala real”?
Integralmente, no crescimento de um ser humano e na sua capacidade para lidar com dor, quão conectados estão a consciência e o sofrimento individual?
Em Física, temos os átomos (ou outras partículas inferiores, Teoria Padrão) como os building blocks dos objetos em estudo, do Universo. Em biologia, temos a base de toda a vida, a célula (também com elementos inferiores e de diferentes tipos e estruturas). Na consciência, qual deve ser a unidade com que se iniciam os estudos? As memórias como forma de progressão num indivíduo ao longo da sua vida são um indicador pessoal da sua experiência e contacto com a realidade e consigo próprio. Um sentimento específico como dor, é subjetivo o suficiente para consideramos a existência de um “espetro de consciência”, intra e inter-espécies.
Ao comparar, por exemplo, átomos com memórias na matéria de serem basilares para a constituição dos temas supramencionados, as diferenças vão desde a sua criação até à sua morte, passando pela sua reciclagem.
Os átomos podem se formar pela colisão de outros átomos e partículas, estruturas a condições especificas que formam outras estruturas a condições específicas, e conhecendo-as torna-se simples replicá-las. Com as memórias os mesmo elementos sensoriais podem não formar memórias iguais em diferentes indivíduos, ou no mesmo em estados emocionais ou em posições cronológicas diferentes. A matéria atómica recicla-se no todo e grandioso Universo: “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Quão “naturais” são as memórias? Civilizações têm-se desenvolvido pelo crescimento comunitário, os problemas que as gerações precedentes tiveram tendem a ser colmatados, almejando uma sociedade que garante o bem-estar. Contudo, “Pequenas Memórias” não teve impacto geracional para resolver, celebrar ou lembrar uma vida vivida. Há memórias que existem, transformam-nos ou não, e ficam apenas connosco até ao último dia, ou antes. Matéria que desaparece, não tem dono porque não escolhemos quando podemos ou não tê-la, recebemo-la e ela vai quando a (nossa) natureza o encaminhar.
Parece-me importante notar na relevância de outros seres, humanos ou não, com quem possamos comparar-nos em dimensões de capacidade mentais, intelectuais e emocionais. E daqui, parto para questões existenciais. Sobre nós, o que pudemos dizer se nenhuma outra matéria viva existisse(2)?
(1) Cérebro consciente como as funções, partes e outputs do encéfalo das quais são comumente associadas como ações da mente, como as memórias e sensações.
(2) Dada a possibilidade natural para a nossa existência sem outros seres vivos.
