Skip to content
MATUTOS MATUTOS

MATUTOS
MATUTOS

Início
Sobre
Projetos
2C
Mar à vela
Contactos
A apanhar tangerinas

A minha experiência a catar lixo…

Posted on Janeiro 15, 2026Janeiro 15, 2026 By diogo
Tempo de leitura: 4 minutos

O verbo catar leva-me ao mundo animal. Pequenos parasitas instalam-se nos hospedeiros, como os símios, e provocam este comportamento natural de catar. Catar estes bichos e comê-los é uma cena comum para qualquer espectador do National Geographic. Para a nossa espécie, culturalmente, não é um hábito que possuímos. Pelo menos não a parte do comer.

Acho muito estranho. Somos capazes de considerar animais como coisas asquerosas e repugnantes. Quanto mais pequenos forem, pior, então se saltarem, eu grito. Aranhas, piolhos, centopeias, lagartas, vermes e bichos maiores, é tudo nojento. Será pela ideia de os encontrarmos em quase todo o lado? Por que nos podem causar doenças?

Então e os plásticos? Os macro e os micro?

Os Plásticos

A esses é que deveríamos lançar gritos e interjeições ofensivas. Quando estou a caminhar na rua e vejo lixo no chão, sinto que perco um pouco de mim. Não sei bem de que parte, pode ser na esperança na humanidade, da minha vontade de viver ou qualquer sem importância como isso. Os plásticos nas ruas são sinal de que não precisamos deles, não de tantos (não de todo).

Ao pesquisar sobre as empresas que produzem plásticos e outros materiais a partir de produtos petroquímicos, ver os triliões de euros movimentados em todos os setores e depois pesquisar sobre as empresas que extraem crude e produzem os petroquímicos, movimentando outros triliões de euros, é assustador. Assustador na perspectiva de um rapazolas que anda a catar lixo ou de qualquer indivíduo que quer ver menos plásticos no mundo. Plásticos PEAD (Polietileno de Alta Densidade), presentes nos tubos de rega e canalização, demoram até 1000 anos para se decompor. Outros como PEBD (Polietileno de Baixa Densidade), PP (polipropileno), PS (poliestireno) e o PET (tereftalato de polietileno) demoram entre algumas décadas até séculos para se decompor. Nesse processo, a desintegração do material provoca a sua mistura com os solos, com ecossistemas onde animais e plantas são contaminados.

Existem blogs, websites e pessoas que fazem um ótimo trabalho a promover o conhecimento nestes tópicos e a sensibilizar quem os procura. O blog greenuso é um muito fixe, que esclarece sobre diferentes problemáticas e disponibiliza alternativas.

Conversa da treta?

Nós somos animais contaminados pelos plásticos. Este material tornou-se o parasita nas nossas vidas. Está em todo o lado, prejudica a nossa saúde, mesmo que quiséssemos livrar dele não conseguimos, não sozinhos. Precisamos da ajuda de todos para catar este bicho sedento de lucro dos nossos dias, das nossas casas e dos nossos organismos.

Mas que conversa da treta, né… Blá blá blá. Os plásticos são maus. Não! A pior parte disto é o mal que estamos a causar quando os produzimos e compramos. Não nos podemos desresponsabilizar deste problema. “Os ricos ficam mais ricos”, claro que sim, se lhes estamos a dar todos os dias milhões e milhões de euros para algo que quando compramos, no minuto a seguir colocamos no lixo ou no chão. Este problema não só afeta ecossistemas vivos, como sociais e políticos. Este é um dos cenários onde estamos nas mãos de marionetistas. 

Empresas bilionárias, começam pouco a pouco, a mudar o discurso e alegadamente o modo como estão a produzir os plásticos. Existe uma lista destas empresas, quase hilariante, que dependendo de onde procuramos, ou são as que estão no cume do desenvolvimento sustentável de plásticos ou são os maiores agentes de poluição da indústria petroquímica.

Cigarros e o fim

Os plásticos são uma parte deste problema. Os cigarros são cerca de 20% do lixo encontrado nas ruas e praias. Podem demorar de 18 meses até 10 anos para se decompor. Um verme que pode satisfazer durante cinco minutos, durar meses e anos, dependendo do seu filtro, é realmente nojento.

Como o cigarro, existe um zilhão de outros produtos manufaturados utilizando produtos petroquímicos e alimentado esta indústria.

O lixo que existe no chão, plásticos, beatas de cigarro, raspadinhas, garrafas de cerveja, talões e tudo o resto, reflete os nossos comportamentos de consumo. Não é por acaso que existe um grande interesse político e corporativo em petrolíferas e em geografias com grandes reservas de crude. O homem laranja quer ficar mais rico, ajudar os amigos ricos, e todos os que estão contra ele querem o mesmo. É o comportamento inato de economias capitalistas. Não faz parte de ciclos da vida. Não há circularidade (ou talvez seja, e ainda não atingimos o marco temporal onde conseguimos captar isso).

Independente da sua cor política, ninguém gosta de ver lixo no chão (certo?). Porém, dependendo do seu chapéu de ideologia económica, o lixo no chão pode significar. Existe um vídeo com a atriz britânica Olivia Colman, aka Oblivia Coalmine, que retrata a forma irrisória como o cidadão comum está colocado neste cenário.
Juntos somos mais fortes. São as palavras mais simples que por vezes expressam as maiores ideias. Enquanto consumidores, podemos simplesmente parar. PÁRA! Se não houver procura a oferta diminui, até cessar.

Resumidamente, gostaria de passar a mensagem de que temos um poder de gigante na produção de lixo, nas ruas e nas prateleiras dos supermercados e de casa. O facto de estarmos cada vez mais separados socialmente uns dos outros, abre espaço para criarmos ideias das vidas uns dos outros e de querermos preencher as nossas com coisas. A vida não são coisas, são eventos. É importante fazermos, agirmos. Procura por alternativas, partilha-as.

Quando a última árvore for abatida, o último peixe comido e o último rio envenenado, perceberemos que não podemos comer dinheiro.

P.S.: Acredito que se temos mais tempo livre, com mais ferramentas tecnológicas que facilitam a vida, então deveriamos querer saber mais, sobre tudo, incluindo de que sõ feitas as nossas coisas e refletir sobre as razões de consumir tanto. Pode começar por aqui.

Boas leituras

Matutado por: 14
Ideias na àgua Lixo Apanhar lixoCigarrosPlásticos

Navegação de artigos

Previous post
Next post

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Recentes

  • Porquê escrever um e-book?
  • A minha experiência a catar lixo…
  • Resoluções de bidé
  • Ensaio sobre a greve
  • Terra, um espaço especial

Categorias

  • Cérebro
  • Crónicas
  • Física
  • Ideias na àgua
  • Lixo
  • Poemas
  • Porquês e ses

Arquivo

  • Janeiro 2026
  • Dezembro 2025
  • Outubro 2025
  • Setembro 2025

Comentários

Nenhum comentário para mostrar.

Doar a

Diogo
©2026 MATUTOS | WordPress Theme by SuperbThemes