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A maturidade do cérebro e do ser social

Posted on Setembro 27, 2025Setembro 27, 2025 By diogo
Tempo de leitura: 3 minutos

Estou ciente de que as ideias e alguns detalhes socioculturais que abordarei estão constrangidos pela minha experiência e cultura de valores, pela minha própria assimilação do que é a realidade e como se estabelecem interações interpessoais. Nada do que segue surgiu de um estudo rigoroso, apenas de observações e conversas.

Gostaria de perceber como a maturidade do cérebro, o modo como assimilamos as culturas (de valores, hábitos e conhecimentos) onde nos inserimos e como a conexão com esta cultura e com os restantes membros com quem a partilhamos, criam a consciência. A conexão coletiva cria a consciência individual e global.

Ano após ano, celebramos aniversários. Dada a simultaneidade de eventos estabelecemos uma correspondência com a dimensão temporal e vamos dizendo que os dias passam, ao vermos o movimento relativo do Sol à Terra, anos passam, ao sabermos que a Terra completou a sua órbita em torno do Sol, e assim somamos mais um ano à nossa idade.

Contudo, o que acontece num cérebro no decorrer desse ano?

A maturidade temporal não corresponde necessariamente à maturidade social. O modo como, por exemplo, dois indivíduos com a mesma idade, se comportam num ambiente coletivo pode ser extremamente díspar, avaliando (pelos pares) de forma tolerável e intolerável, um e outro comportamento. A experiência é um aspeto chave no modo como respondemos ao mundo, mesmo dois gémeos idênticos, com o mesmo código genético, apresentam, em muitos casos, respostas diferentes aquando na tomada de decisões. Diferença esta, que pode ser avaliada pelo seu “grau de maturidade”.

Comumente, quando falamos em plantas, utilizamos o adjetivo maduro para qualificar o objeto que se apresenta no seu estado último de desenvolvimento. Gosto das pêras maduras. E sei quando estão maduras, por características físicas: a sua cor e consistência.

Num ser humano, a mudança de cor e de consistência seriam maus sinais. A maturidade em seres vivos animados, reflete-se nos seus comportamentos físicos, nas suas respostas a estímulos exteriores e, em alguns casos, o modo como lidam com os membros da sua espécie.

Ainda assim, existem casos claros de pessoas que evidenciam comportamentos objetivamente indicativos de maturidade, como uma criança (ou certos adultos) que se comporta devidamente quando sai à rua, responde bem, faz o que lhe pedem, tem iniciativa própria e ajuda o próximo, e não percebe integralmente o que está a fazer. Não entende que está a seguir um protocolo social informal, de uma cultura aleatória onde tem sido criada, que o faz para manter a constância do conjunto de valores sociais (ou para que pelo menos não exista um rompimento abruto dos mesmos).

Por outras palavras, além de características físicas, também não me parece certo afirmar que a maturidade se traduza em comportamentos per se. Existe algum aspeto anterior à tomada de decisão para agir da “melhor” forma numa situação, que deve corresponder ao nível de maturidade de um ser humano. A cadeia de pensamentos que leva à resposta deve considerar o cenário, o contexto, em que o próprio (the self) se encontra.

Aqui estou enquadrado num cenário em que tenho a capacidade de avaliar puramente o sujeito, mesmo que exiba comportamentos que sinalizem para um estado A, mas internamente aponte para B, saberei como o sujeito “é verdadeiramente”, B.

O processo de maturação da mente e do cérebro começa aquando da interrogação do sujeito sobre a cultura de valores, quando se vê, enquadra, no meio social e se revê, ou não, nos seus pares. A mente consciente desperta, ou expande.

A avaliação final de uma mente madura, ver-se-á nos atos cumulativos que o sujeito desempenha durante um período da sua vida, normalmente na idade adulta, ao mesmo tempo que executa uma série de tarefas de forma independente, ao contrário do que teria acontecido num passado não distante. Ou seja, o indivíduo, tem um leque de habilidades mentais que adquiriu no seu período de vida, até a um determinado instante, dada a sua interpretação da experiência sensorial, conhecimentos, cenários sociais e momentos de confronto pessoal. Neste sentido a maturidade de um indivíduo depende do contexto onde se insere e, por isso é uma construção sociocultural.

Assim, o que dizer da consciência? Dado o desenvolvimento do cérebro e da mente, e a sua relação com a maturidade, devemos conceber a consciência como algo construído antropogenicamente, ou que deriva da própria cultura do indivíduo?

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