Na primeira parte do dia estudo, trabalho e apanho lixo, que, por si, é um bom trabalho de estudo. Na segunda parte do dia matuto sobre o que vamos fazendo, sobre como as coisas funcionam e como percebemos que funcionam, quais as formas de as puder descrever, desde do texto científico à lírica, passando por uma obra plástica feita de “lixo da rua”. Qualquer que seja o cenário, gostaria que e tivéssemos a oportunidade de matutar.
Chamo-me Diogo Gomes, sou um almadense nascido em Lisboa, com raízes minhotas e alentejanas. Estudo Física, na Faculdade de Ciências da ULisboa. No mesmo curso e instituição onde estudou Adília Lopes, a poetisa, que entretanto o abandonou. Gosto de a ouvir declamar os seus poemas.
Sou neto da Adelina. Aspiro um dia saber tanto sobre ser como a minha avó sabe. Até lá, vou caindo na calçada e nas palavras que fazem o caminho. Gosto de escrever, da minha horta, das pessoas, do Sol e da vida. Aqui vai um bocado de tudo isso.
Matutos é um diário, com experiências, crónicas, pensamentos e, sobretudo, questões.
Tenho a sensação que todos somos mais inteligentes do que nos permitimos ser, que somos mais interessados uns nos outros do que gostaríamos de assumir. Acho que as redes sociais são pequenos poemas, voicemails perdidos, a dizer que gostamos de ti e que te procuramos por toda a parte, porque se estivesses aqui, não teria mais para ver noutro lugar. Acho que é importante dizer coisas, irmos falando, sair à rua e ver gente.
Estas páginas contam com passagens dos dias que vou vivendo, encontros que despertam cores e sabores, crónicas e poemas à moda de um pássaro que vai aprendendo a voar. Asseguro-vos uma ótima qualidade nas minhas palavras, a melhor que se permite a um aspirante a sábio ser.

Escrevia
porque estava sozinha
e queria estar com
pessoas
Depois
estava com pessoas
e queria estar sozinha
para escrever
Adília Lopes
